domingo, 31 de março de 2019

TROVAS DE AMIGO * Antonio Cabral Filho / RJ

TROVAS AO MEU AMIGO
NEREIS RIBEIRO

De batismo veio Néreis,
Mas pra todos é Nereis;
Tirando o grave do éreis,
Fica como conheceis.

Meu caro amigo Nereis,
Faz tempo que te escrevi;
Mas sei que tudo fareis
Pr’eu não saber mais de ti.


TROVAS AO “MICHEL JACKSON” ETERNO

Sacudi o esqueleto
Mui feliz com o Rei do Pop,
Mas mico que não cometo
É perder um show de rock.

Sacudi o esqueleto
Mui feliz nos shows de rock,
Mas mico que não cometo
É trair o Rei do Pop.


TROVAS AO POETA
JOÃO BATISTA SERRA - CE

João Batista, meu irmão,
CE anda sumido, uai!
Oh sô, num fais isso não.
Mandai mais um haicai.

Quero sempre a rima nobre,
Quando penso no PATUSCO;
Mesmo que me custe o cobre,
Só me interessa o que busco.


TROVAS AOS FANZINEIROS

Chegou-me SALA DE ESPERA,
Vinda de Itaboraí;
Meu amigo Alfredo é fera
Em coisas que eu nunca vi.

Quando chega o MENSAGEIRO,
Fico fora do normal;
Sinto o gênio alviçareiro
Com adrenalina total.

Prezado Abel B. Pereira,
Todo fruto dá prazer,
Mas o figo da FIGUEIRA
Dá gosto de conhecer.


TROVAS  AO ANJO AMIGO
SENHOR ANDRÉ BELLUCCI


(O Senhor André Bellucci era cliente da Livraria ENTRELIVROS, situada na Av Copacabana, 605, pelo menos no período em que lá trabalhei e é o autor do maior presente literário que já ganhei em toda minha vida: OS LUZÌADAS, de Luiz de Camões, edição FIGEUIRINHAS/PORTO e comentada por José Agostinho, na Páscoa de 1974 e isso aconteceu porque ele flagrou-me lendo a obra enquanto limpava o chão da loja.)

O ilustre André Bellucci
Deu-me a Chave dos Luzíadas,
Que hoje permite que eu lute
Nas fronteiras “natercíadas”.

Amigo André Bellucci,
Seu gesto em setenta e quatro
Hoje faz com que eu desfrute
Da trova de fino trato.


GREGÓRIO DE MATTOS
TROVADO

Gregório, tal qual Vinicius,
São ambos do status quo
E sofrem do mesmo vício:
São poetas do quiprocó.

Disse Gregório de Mattos,
Que os males do Brasil são
Brancos, índios e mulatos
Barganhando traição.



ÁFRICA DO SUL
NELSON MANDELA
TROVADOS


Oh Bispo Desmond Tutu,
Lutemos contra a mazela,
Juntos com Nelson Mandela
Mas pela África do Sul.

Compartir o amor da pátria
É tudo que faz Mandela,
Que diz preferi-la mátria
Pelo som da vuvuzela.


MONTEIRO LOBATO NA TROVA


“O trabalho é a lei da vida.”,
Disse Monteiro Lobato,
Como quem só vê saída
Às custas do lavorato.

“O trabalho é a lei da vida,
É a sina do operário.”,
Trabalha seu suicida
Pro Lobato salafrário.

Quem trabalha pro Lobato,
Não tem um pingo de sorte,
Não verá cumprir contrato
Nem na vida nem na morte.

Lobato como patrão
Não dá sossego a ninguém;
Ante ou atrás do balcão,
Não venha porque não tem.

O trabalho é alei da vida
Do Lobato salafrário,
Pois não quer outra guarida
Sem o trabalho operário.


TROVANDO DIVERSOS...

Já viu Aricy Curvello?
É do tipo que não medra.
Lhe convido para vê-lo
Extrair vinho da pedra.

Dom Helder Câmara, Bispo,
Defensor dos oprimidos,
Quase que acabou, por isto,
Como os DESAPARECIDOS.

Pobre do Ataulfo Alves,
Sofre “Saudades da Amélia”,
Mas sem nada que lhe salve,
“mata o velho” com a Camélia.

Depois que Nelson Gonçalves
Batizou de boemia
A boêmia de outros Alves,
Tudo ganhou alforria.

Dado não ser nada fácil
Viver de alegrar os seus,
Nossa Dirce Migliaccio
Foi ser Emília pra Deus.

Maria tem com Maíra
Divergências pelo “ I “,
Mas ambas matam a ira
Pelo Ribeiro Darcy.

Para que o mundo confira
Toda a grandeza divina,
Eis a Miss Débora Lira,
Nossa flor quem vem de Minas.

Ouvir Yuri Popov
Nos acordes desta trova,
É ter fé de que ele aprove
O que meu verso comprova.

Filho do Capitão Asa,
Veja por que Deus me quis:
Mesmo sem saber de NASA,
Viva o Capitão Assis.

Como todos tenho dom,
Do qual sou seu porta-voz,
Tal qual Niède Guidon,
Que zela por todos nós.

João Cândido é mais que forte,
Líder negro e almirante;
Vence na vida e na morte
Toda força ignorante.

Meu amigo Folha Seca,
Anjo do Jardim Botânico,
Não permita Deus que eu perca
O prazer do mundo orgânico.

Louvo o Murilo Teixeira,
Meu ilustre conterrâneo,
Bardo de extração mineira
Da lavra Quintiliano.

Chico diz que nossa dor
Não é coisa para jornal;
Não dá rima de valor
Nem produz o vil metal.

Ilustríssima,  és Ilma,
Além de ilmíssima e tudo,
Mas seu nome não quer rima,
E com isso não me iludo.

Passar o carro é cruel,
É triste, mas eu já vi,
Mas mais triste é um Grael
Ser pego por “jetisqui”.

Bil jamais tomava pinga,
Somente biricutico;
Só largava o bar do Chico
Após encher a moringa.

O nome dele era Zamba;
Roubou, estuprou irmão,
Até que um dia, caramba,
Morreu com a bíblia na mão.

Adriano não tem jeito,
E adora levar flagra;
Ganhou palito estreito
Porque abusou do Viagra.

Gorró, um amigo meu,
É um pedreiro perfeito;
Mas um pinguço sem jeito,
Mesmo depois que morreu.

Filhos da mãe Severina,
Lula, Tiririca, Bil,
Ensinam mudar de vida
Mesmo descendo o Brasil.

Nicholas Behr é um mito,
Com harens e musas só suas;
Mas numa coisa acredito:
Mora onde não tem ruas.

Farsa da boa preguiça
É obra de Suassuna,
Mas se tem “boa preguiça”,
Então ela não é una.

O poeta em seu afã,
Põe em risco a sua lira;
- Cuidado com o tobogan !
Lembra a musa Djanira.

Silva Barreto me diz,
Exalta o ritmo escoteiro,
Pois o aedo feliz
Busca a sombra do Imbondeiro.

O Galdino Pataxó,
Só porque dormiu no banco,
Quem diria, vejam só,
Foi queimado pelo branco.

Pero Magalhães me jura,
Posso chamá-lo Gandavo,
Para a minha rapadura
Virar açúcar mascavo.

Irmã Semíramis Reis,
Feliz de quem vê a luz
E sabe encontrar as leis
No caminho de Jesus.

Não quero o “Adeus de Tereza”,
Que tonteou Castro Alves
E fê-lo morrer qual presa
Sem conhecer seus ‘Algarves.”

Jorge Amado panfletário:
Realismo socialista;
Baianismo libertário:
Populismo sensualista.

Eu não sou nenhum profeta,
Mas saúdo a boa nova;
Viva Malungo Poeta,
Lhe abraço através da trova.

Tem um acordo secreto
De Calr Sagan com Bilac;
Um vê estrelas direto,
O outro, só com conhaque.

Oh, todo cuidado é pouco,
Jorge Coutinho é maroto
De deixar qualquer um louco:
Mente até pro capiroto.

Quem não conhece Boécio
Não chega a ser um beócio,
Que para não findar néscio,
Meteu a cara no ócio.

Foste enganado Manoel.
Fizeste a melhor poesia,
Do verso livro ao rondel,
Até quando não queria.

Auri Antonio Sudati,
És redondilha perfeita;
Na trova quero abraçar-te,
Mas tem que ser desta feita.

Gabriel Joaquim dos Santos,
Faz o verso que eu componho;
Fez “Casa da Flor”, seu sonho,
Sem herdar sequer um manto.

Glauco Mattoso, és um bravo,
Vate sem papas na língua;
Sua verve é como um corvo
Preso no bosó da íngua.

Faça como o Celulari,
Por mais que a vida nos traia
Ou como Zumbi, encare,
Mas nunca fuja da raia.

Senhor do “Pássaro de Ógano”,
Antonio Carlos Medeiros,
Grego, amante monógamo
Da vida em fartos parceiros.

Bem mais que Helena de Tróia,
Maureen Maggi é destemida;
Pois vence toda tramóia
Na olimpíada com a vida. 
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